HISTÓRIA DA EDIFICAÇÃO

Vila de São José. Desenho de Johann Moritz Rugendas. 1824.
Publicado pela editora Itatiaia, em 1998, no livro Viagem pitoresca através do Brasil, de Johann Moritz Rugendas.



Para que se compreenda a história da edificação onde está instalado o Museu da Liturgia, é necessário conhecer um pouco a história de Tiradentes. A cidade tem sua origem por volta dos anos de 1702-1704, quando seus primeiros moradores, homens que viviam de minerar os vários ribeiros da região em busca de ouro, constituíram, em torno de uma pequena capela dedicada a Santo Antônio, o primeiro arraial da futura e próspera Comarca do Rio das Mortes, em Minas Gerais: o Arraial Velho do Rio das Mortes, depois chamado de Vila de São José Del Rey.

Serra e Cidade de São José. Desenho de Robert Walsh. 1828.
Publicado pelas editoras Itatiaia e Edusp, em 1985, no livro Notícias do Brasil, de Robert Walsh.



Em pouco tempo o arraial cresceu. Em 1710, fundou-se a Irmandade do Santíssimo Sacramento, responsável pela construção da Igreja Matriz de Santo Antônio para substituir a antiga capela. A Matriz já estava concluída por volta de 1732. Sua instalação em local privilegiado foi fator determinante do processo histórico de ocupação do território e implantação dos espaços públicos de Tiradentes.

Vista parcial do núcleo setecentista de Tiradentes.
Foto: Stille - Rio de Janeiro, 1942. Fonte: Acervo IPHAN



De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), responsável pela proteção do centro histórico de Tiradentes, o núcleo inicial de formação da vila, isto é, o núcleo setecentista, é constituído pelo traçado atualmente formado pelas ruas da Câmara, Jogo de Bola e pelo entroncamento que se abre para as ruas Direita e Padre Toledo. Nesse núcleo básico, inseriram-se, ainda, os becos e caminhos que surgiram para dar acesso às "áreas de serviço", tais como a beira-rio, as fontes de água e o espaço da produção de víveres.

Casa paroquial em sua conformação original. 1943.
Fonte e liberação: IPHAN/Tiradentes. Imagem originalmente publicada pela Graphicars F. Lanzara, em 1946, no livro Relíquias da Terra do Ouro, de Edgar Cerqueira Falcão.



O Museu da Liturgia situa-se no número 15 da Rua Jogo de Bola, a mais antiga da cidade, cujo nome se deve ao fato de que neste espaço, no século XVIII, os moradores tinham como lazer uma competição em que bolas eram jogadas para derrubar estacas.

Construída nos primeiros tempos da cidade para servir de residência, a casa seguiu os parâmetros das moradias típicas de Tiradentes, que se diferem, por exemplo, dos sobrados, casas de dois andares, que predominam nos traçados antigos de São João del-Rei e Ouro Preto. O prédio é vizinho à Casa da Câmara e fica próximo à pequena praça, que faz junção com a Rua do Chafariz e onde foi instalado o pelourinho.

Petição feita pelo Vigário Joaquim das Neves Parreiras, em 29 de dezembro de 1893, solicitando à Câmara de Tiradentes a dispensa de pagamento dos impostos municipais
sobre a transferência do imóvel doado à Paróquia. Fonte: Acervo Instituto Histórico Geográfico de Tiradentes.



Em 1893, os paroquianos compraram a edificação para doá-la como presbitério para a Paróquia de Santo Antônio da cidade de Tiradentes, o que aconteceu no ano seguinte. A própria condição de prosperidade da cidade e da Comarca do Rio das Mortes foi um dos fatores que contribuiu para atrair religiosos com maiores posses, como o padre Toledo, um dos nomes mais atuantes da Inconfidência Mineira.

Casa paroquial da Matriz de Santo Antônio de Tiradentes, já com os acréscimos construídos na década de 1950.
Fonte: Acervo pessoal Olinto Rodrigues dos Santos Filho.



Ao longo do século XX, novas doações de terrenos contíguos fizeram com que a Casa Paroquial ampliasse sua ação caritativa, com a insta-lação de creches, postos de saúde, organizações de apoio aos pobres e outras entidades. Na década de 1950, a casa sofreu um acréscimo, para aumentar o número de quartos e instalar uma capela dedicada a São José, cuja imagem está desaparecida desde os anos 1970.

Essa ampliação duplicou a fachada do imóvel, acrescentando mais três janelas para a rua, no mesmo estilo da parte original. No anos 1970, foi feito novo acréscimo na fachada em uma porta e uma janela no mesmo estilo. Ainda na mesma década outras reformas adaptaram a casa para a residência das freiras da Fraternidade Coração de Maria.


Clique no ícone para visualizar um infográfico que apresenta os anexos feitos.

Museu da Liturgia de Tiradentes. 2012.
Foto:Elisa Marques.



Uma nova obra foi realizada para a instalação do Museu da Liturgia. Todos os elementos característicos da construção, bem como suas cores, foram mantidos ou restaurados. Na parte externa, onde havia um quintal, localiza-se o pátio, espaço expográfico guarnecido por um muro de pedra, que também foi restaurado e teve sua extensão original recuperada.

Finalmente, um novo anexo foi construído, ao fundo, para abrigar as instalações para funcionários, reserva técnica, laboratório, núcleo de pesquisa e espaço educativo.
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